Os frequentes casos de aparecimento de onças próximas a residências ou áreas urbanas provocou a realização do I Workshop Internacional “Conflitos com Grandes Felinos – Riscos, Causas e Soluções”, que aconteceu no auditório da Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, nos dias 26 e 27 de agosto. Participaram do evento especialistas, pesquisadores, professores, ambientalistas, estudantes, produtores rurais e demais interessados no tema.
O evento foi promovido por quatro Organizações da Sociedade Civil (OSC): SOS Pantanal, Instituto do Homem Pantaneiro, Onçafari e Instituto Onça Pintada. Teve apoio do Governo do Estado, através da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e da Famasul.
Foram convidados especialistas com atuação e trabalhos reconhecidos na área para discutir o assunto: Diego Viana, especialista em mitigação de conflito e coexistência entre onças humanos; Rafael Hoogesteijn, veterinário e ecólogo, referência latino-americana em estratégias de convivência entre grandes felinos e pecuária. Fabrícia Reges Ferreira, engenheira florestal, especialista em manejo de fauna em mineração na Amazônia; Brian Kerston, ecólogo do Washington Department of Fish and Wildlife, com foco em pumas e paisagens antropizadas.
Dave Varty, pioneiro do ecoturismo de base comunitária na África do Sul e referência mundial em conservação via turismo sustentável; Lili Rampim, bióloga do Onçafari, especialista em manejo e conservação de felinos selvagens; Paul Raad, veterinário, especialista em conflitos e coexistência entre humano e onças; Alex van den Heever, rastreador e educador da Tracker Academy, especialista em técnicas tradicionais de rastreamento;
Dra. Krithi Karanth (Índia), diretora do Centre for Wildlife Studies, atua há mais de 20 anos com estratégias de coexistência humano-fauna na Índia; Agustín Iriarte (Chile), biólogo com 40 anos de experiência em conservação de pumas e gatos-andinos; Dr. Craig Packer (EUA), considerado o maior especialista em leões do mundo; professor da Universidade de Minnesota, fundador do Lion Research Center; Anwarul Islam (Bangladesh), cofundador e CEO da WildTeam, referência em gestão de conflitos com tigres no Sundarbans em Bangladesh.
Leandro Silveira, cofundador do Instituto Onça Pintada e pioneiro em protocolos de manejo e resgate de grandes felinos no Brasil; Cristina Harumi, veterinária, especialista em Manejo Emergencial de Fauna na Mata Ciliar; Capitão Jorge (PMA MS), coordenador de resposta a incidentes com fauna da Policia Militar Ambiental no Pantanal sul-mato-grossense; Adriano Bandeira, engenheiro agrônomo da Fazenda Bodoquena, defensor da produção sustentável em áreas de convivência com grandes felinos; Fabrícia Reges, especialista em mitigação de conflitos em contextos corporativos na Amazônia da MRN; Gilson de Barros, produtor rural de Corumbá, engajado em protocolos de convivência e educação territorial.
Gustavo Figueirôa, biólogo, especialista em conservação de fauna e comunicação científica, diretor de comunicação do SOS Pantanal; Isabella Baroni, jornalista com experiência na cobertura de temas como biodiversidade, fauna e crises ambientais; Rogério Fonseca Biólogo, doutor em Ecologia Conservação e Manejo de Vida Silvestre, coordenador do Projeto Observatório de Imprensa Avistamentos e Ataques de Onças (OIAA ONÇA).
Grasiela Porfírio, gestora do Instituto Homem Pantaneiro, articula pesquisa, comunidades e políticas públicas para coexistência com felinos no Pantanal; Fabiane Souza Analista Ambiental na Superintendência do IBAMA do estado de Mato Grosso do Sul, atua na prevenção de conflitos com felinos; Cristina Fleming, secretária municipal de Meio Ambiente de Corumbá, engenheira ambiental com experiência em gestão ambiental de cidades; e Artur Falcette, secretário-Adjunto da Semadesc, doutorando pela UFGD com foco em sustentabilidade e tomada de decisão.
Falcette lembrou o caso mais impactante registrado em abril desse ano, na região de Touro Morto, no Pantanal de Aquidauana, em que o caseiro Jorge Ávalo, 60 anos, foi atacado e morto por uma onça. O animal acabou sendo capturado por uma força conjunta entre PMA e ICMBio, levada ao Hospital do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), passou por exames e reabilitação e depois foi transferido para um instituto de São Paulo.
“Duas horas após a ocorrência nos ter sido comunicada, já havia uma equipe responsável para cuidar do caso no âmbito do Governo. A união de esforços que resultou na captura da onça foi essencial para o sucesso da iniciativa. O cidadão não quer saber se a responsabilidade é da União, do Estado ou da Prefeitura. É do Poder Público, todos precisamos dar respostas efetivas para devolver a segurança à população”, afirmou.
A sensação de insegurança foi a afirmação recorrente nas falas dos palestrantes quando acontece o avistamento de grandes felinos nas proximidades de suas residências. Não só com relação à vida das pessoas, mas sobretudo quanto aos animais domésticos. É o que tem afetado a população de Corumbá, que desde 2009 registra diversas ocorrências de aparecimento de onças nas proximidades de áreas habitadas. Alguns animais foram capturados e transportados para locais distantes onde ficarão em segurança, outros não foram mais vistos.
As discussões dos dois dias de Workshop serão condensadas em um documento, a ser produzido nos próximos 30 dias, conforme explicou o diretor de Comunicação da SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa. Esse documento pretende nortear a conduta de profissionais no manejo de grandes felinos, orientar o comportamento das pessoas quando avistarem um animal dessas espécies, e subsidiar políticas públicas para enfrentar o problema.
Texto: João Prestes
Fotos: Bruno Rezende/SecomMS