Publicado em 26 mar 2026 • por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
Na tarde de quarta-feira (25), o Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) lançou a edição digital do livro “Aves Migratórias Ocorrentes no Pantanal”, no Espaço Mato Grosso do Sul, durante a COP 15, em Campo Grande. A obra foi apresentada pelo pesquisador da Embrapa, Walfrido Moraes Tomas, um dos 12 autores, e contou com a participação do secretário adjunto da Semadesc, Artur Falcette.
“Esse livro traduz, de forma acessível, um conhecimento técnico robusto que é essencial para orientar nossas estratégias de conservação. Ao compreender melhor as rotas e os ambientes utilizados pelas aves migratórias, conseguimos planejar ações mais eficazes, fortalecendo o compromisso de Mato Grosso do Sul com a proteção da biodiversidade e com uma agenda ambiental alinhada aos desafios globais”, comentou Artur Falcette.
A publicação foi viabilizada por meio de convênio entre a Semadesc e o Sebrae/MS, com recursos do Pró-Desenvolve e do Funter, reforçando o compromisso do Estado com a produção e difusão do conhecimento científico. O livro reúne informações qualificadas sobre as rotas migratórias, áreas de parada e locais de invernada das espécies que utilizam o Pantanal, contribuindo para a formulação de políticas públicas e estratégias de conservação.
Com abordagem técnica e acessível, a obra destaca a importância do Pantanal como um dos principais corredores ecológicos para aves migratórias em escala regional e continental. Ao valorizar a biodiversidade e ampliar o acesso à informação, a publicação se consolida como ferramenta de apoio a pesquisadores, gestores e à sociedade. O livro está disponível gratuitamente, em formato digital, no site da Semadesc.


O levantamento reúne dados de 192 espécies de aves migratórias identificadas em 135 sítios distribuídos pelo Pantanal, resultado de anos de observações de campo e análise científica. Mais do que um inventário, o trabalho apresenta uma visão integrada da dinâmica ecológica da planície alagável, evidenciando como diferentes ambientes, como rios, salinas, campos inundáveis e matas ciliares, funcionam como pontos estratégicos ao longo das rotas migratórias.
Entre os achados que chamam atenção estão áreas com grande concentração de aves, como a Estação Ecológica de Taiamã, onde chegam a se reunir milhares de indivíduos de diferentes espécies durante os períodos de migração. O livro também detalha rotas que conectam o Pantanal a regiões distantes do continente, incluindo aves que migram do Ártico até a América do Sul, reforçando o papel global do bioma na manutenção dessas populações.
Outro aspecto relevante é a identificação de diferentes rotas migratórias (setentrional, meridional, costeira) que atravessam o Pantanal, muitas vezes concentradas ao longo dos principais rios. Apesar dos avanços, o estudo também aponta lacunas de conhecimento em áreas ainda pouco pesquisadas, indicando a necessidade de ampliar o monitoramento e a produção científica sobre essas espécies.
Marcelo Armôa, Semadesc