Semadesc apoia agricultura familiar em comunidades quilombolas e aldeias indígenas de Dourados por meio do PAA

  • Publicado em 06 mar 2026 • por Rosana Siqueira •

  • Abacate, banana, mandioca, milho, pães caseiros, limão, mamão, abóbora, frango caipira e até tilápia. Essa variedade de produtos orgânicos, oriundos da agricultura familiar de Mato Grosso do Sul, foi entregue ontem (05) por indígenas e quilombolas da região de Dourados dentro do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado.

    O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma política pública do Governo Federal, executada pelo Ministério de Desenvolvimento Social, Famíla e Combate à Fome (MDS), criada para comprar alimentos da agricultura familiar e destiná-los a pessoas em situação de insegurança alimentar ou a instituições sociais.

    As entregas ocorreram na Associação Quilombola Dezidério de Oliveira e, posteriormente, na Escola Municipal da Aldeia Jaguapiru, com a presença da secretária-executiva de Agricultura Familiar da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Karla Nadai.

    O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc, é parceiro na execução do programa, que adquire diretamente produtos de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, povos indígenas, quilombolas, além de cooperativas e associações rurais.

    Entrega de produtos da agricultura familiar na Quilombola Picadinha em Dourados

    A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) é responsável pela assistência técnica aos produtores participantes, auxiliando no aumento da produtividade e na organização da produção. Dessa forma, o programa contribui para gerar renda no campo e, ao mesmo tempo, combater a insegurança alimentar nas cidades.

    Também estiveram presentes o coordenador regional da Agraer em Dourados, Atilio Pilol; a coordenadora do PAA na SEAF, Maria Tainara Vitorino; o coordenador de Povos Originários, Adeilson da Silva; o secretário de Agricultura Familiar de Dourados, Bruno Pontin; o coordenador municipal Luiz Renato Peixoto Cavalheiro, além de equipes do CRAS e da Agraer.

    A secretária Karla Nadai explicou que o PAA possui diferentes modalidades e, no caso das comunidades indígenas e quilombolas, os produtos são adquiridos por meio de editais e inscrições de produtores locais, sendo destinados a famílias em situação de vulnerabilidade dentro da própria comunidade.

    “É a própria comunidade que fornece os alimentos e as famílias em situação de vulnerabilidade recebem. Para participar, os produtores precisam estar inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), pois as modalidades PAA Quilombola e PAA Indígena são voltadas para o autoconsumo dessas comunidades. Os alimentos só podem ser destinados a indígenas e quilombolas, e esse é o diferencial desse modelo do programa”, explicou.

    A ação conta ainda com o apoio do CRAS. “As famílias beneficiadas precisam estar cadastradas no Cadastro Único. O produtor entrega os alimentos, que são repassados ao CRAS, ligado à prefeitura, responsável por fazer a distribuição às famílias em situação de vulnerabilidade. Cada instituição tem o seu papel nesse processo”, destacou.

    Valorização da produção local

    Na comunidade quilombola vivem 18 famílias, sendo que seis delas participaram da entrega de alimentos destinados a moradores em situação de vulnerabilidade social. Ao todo, foram distribuídos mais de 677 quilos de produtos da agricultura familiar, entre frutas, verduras, legumes, doces e pescado.

    O produtor rural Ramão Castro de Oliveira, descendente do fundador da comunidade quilombola, relembrou a luta da comunidade para gerar renda e melhorar as condições de vida dos moradores. Diante da oportunidade proporcionada pelo PAA e da parceria com a Semadesc e a Agraer, ele agradeceu o apoio recebido.

    “Para que possamos produzir e gerar renda, somos gratos por essa iniciativa em benefício das nossas comunidades. É algo muito valioso para nós, pequenos produtores. A oportunidade de gerar renda localmente é fundamental, pois facilita nossa subsistência. Em nome da nossa comunidade, agradeço a parceria da Agraer, da prefeitura e de todos que se dedicam a nos apoiar”, declarou.

    Já na Aldeia Jaguapiru, o recebimento e entrega simultânea de alimentos foi realizado na Escola M. Indígena TENGUATUI MARANGATU, totalizando 5.299,6 kg de alimentos, de 17 tipos de produtos diferentes e entregues por 21 produtores. Os produtos foram distribuídos para os alunos e familias cadastradas dos estudantes na escola indígena de Dourados.
    O acumulado de produtos atingiu 76.625,8 kg, com uma variedade acumulada de 37 itens de produtos diferentes, nas sete Escolas indígenas já atendidas e no CRAS Indígena.
    Foram até o momento, 25 entregas, com mais de 76,5 toneladas de alimentos diversificados.

    A secretária Karla Nadai reforçou a importância da parceria entre as instituições para o sucesso do programa.

    “A colaboração demonstra um esforço conjunto entre o Governo Federal, o Governo do Estado — representado pelo secretário Jaime Verruck — e a prefeitura. É importante destacar o papel fundamental dos produtores, que começam o trabalho ainda nas primeiras horas da manhã. Sem o esforço deles, nada disso seria possível. Ao apresentarmos os resultados alcançados, abrimos caminho para conquistar mais recursos e ampliar o número de famílias beneficiadas”, afirmou.

    Ela também agradeceu o apoio das equipes do CRAS na distribuição dos alimentos. “Somos profundamente gratos pela parceria e pelo comprometimento de todos”, concluiu.

    Fotos e texto – Rosana Siqueira

     

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    Agricultura Familiar

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