Publicado em 27 maio 2026 • por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
Mato Grosso do Sul deu mais um passo na consolidação de mecanismos inovadores de financiamento ambiental voltados à conservação do Pantanal e ao fortalecimento da chamada nova economia ambiental. Nesta quarta-feira (27), representantes do Governo do Estado, instituições ambientais, organizações da sociedade civil, comunidade científica e parceiros técnicos participaram, em Campo Grande, da apresentação de uma nova etapa do projeto de implementação de créditos de biodiversidade no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (PEPRN), unidade de conservação administrada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul.
O encontro marcou o início do projeto “Mecanismo de Créditos de Biodiversidade para o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro”, iniciativa financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), no âmbito do Projeto GEF Terrestre, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como agência implementadora e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) como executor. A ação é executada pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres em Ação no Pantanal, em parceria com o Imasul e a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Na abertura, o secretário-adjunto da Semadesc, Alex Melotto, destacou que a iniciativa reforça o posicionamento estratégico do Estado na construção de um modelo econômico baseado na valorização do patrimônio natural, integrando conservação ambiental, inovação, mercado de carbono e mecanismos financeiros sustentáveis.
“O Governo do Estado apoia iniciativas como essa porque elas convergem diretamente com o modelo que Mato Grosso do Sul vem estruturando para transformar conservação ambiental em oportunidade de desenvolvimento sustentável. Já temos um modelo de governança definido para a MS Ativos Ambientais e, assim que a proposta apresentada estiver auditada, certificada e com emissão dos créditos, a vitrine de oferta desses ativos será justamente a MS Ativos Ambientais”, afirmou Melotto.
O secretário-adjunto ressaltou ainda que a criação da Companhia Gestora de Ativos Ambientais de Mato Grosso do Sul (MS Ativos Ambientais) posiciona o Estado em um novo patamar na gestão e valorização econômica do patrimônio natural. “A MS Ativos Ambientais nasceu com a missão de estruturar e fortalecer o mercado de ativos ambientais em Mato Grosso do Sul, criando segurança institucional, capacidade técnica e conexão com investidores nacionais e internacionais. Estamos falando de mecanismos capazes de gerar recursos para conservação, restauração ambiental e desenvolvimento sustentável, valorizando o patrimônio natural do Estado”, acrescentou.
A iniciativa apresentada durante o evento dá continuidade aos estudos técnicos desenvolvidos entre 2024 e 2025, que identificaram o potencial do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro para geração de créditos ambientais e implementação de soluções baseadas na natureza. Em julho de 2025, a análise de viabilidade foi oficialmente entregue à Semadesc e ao Imasul, consolidando uma agenda conjunta entre governo, sociedade civil e parceiros técnicos. Os resultados apontam oportunidades especialmente ligadas aos créditos de biodiversidade, fortalecendo o parque como área piloto para implementação de mecanismos inovadores de financiamento ambiental, com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país.
Para a secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro vem se consolidando como um importante laboratório de inovação em conservação ambiental. “A articulação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade do Estado de desenvolver soluções baseadas na natureza com potencial de replicação em outras áreas protegidas do país”, afirmou.
Também participaram do evento o superintendente de Mitigação e Adaptação Climática da Semadesc, Fábio Padilha Bolzan e o gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes Palma.
A nova etapa do projeto marca a transição dos estudos técnicos para a implementação prática, incluindo monitoramento ecológico, definição de indicadores e construção de mecanismos de governança. Entre as metodologias adotadas está a abordagem baseada em espécie guarda-chuva, utilizando a onça-pintada como indicador da saúde do ecossistema.
Além do trabalho de campo, o projeto prevê a estruturação jurídico-financeira necessária para viabilizar a comercialização dos créditos no mercado, fortalecendo a conexão entre conservação ambiental e geração de valor econômico para áreas protegidas.
Segundo Letícia Larcher, bióloga e gestora de projetos da Wetlands International Brasil e da Mupan, o projeto avança agora para uma etapa decisiva de consolidação técnica dos mecanismos de geração de créditos de biodiversidade.
O evento integra uma agenda internacional que busca desenvolver instrumentos econômicos capazes de ampliar a sustentabilidade financeira de áreas protegidas e fortalecer ações de conservação ambiental no Pantanal.
Marcelo Armôa, Semadesc, com informações da Wetlands