Publicado em 14 abr 2026 • por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
A piscicultura em Mato Grosso do Sul vive um momento de forte expansão, consolidando-se como uma das principais atividades agroindustriais do Estado. Em 2025, a produção de peixes de cultivo ultrapassou 53 mil toneladas, com predominância da tilápia. Ao mesmo tempo, a produção de peixes nativos também avançou e já representa 14% do total, evidenciando o potencial de diversificação da atividade.
Para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), promoveu nesta terça-feira (14) o Encontro Técnico de Piscicultura, no auditório da Acrissul, em Campo Grande, durante a Expogrande. O evento reuniu produtores, industriais, técnicos e pesquisadores para debater inovação, mercado e eficiência produtiva.
O encontro contou com a participação do secretário da Semadesc, Artur Falcette, do secretário-adjunto Alex Melotto, do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, do diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, e do diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento.
A iniciativa integra as ações do Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul (Proape), que contempla a piscicultura com o subprograma Peixe Vida, responsável por incentivar financeiramente a produção. Entre os benefícios estão a isenção de ICMS para operações internas com alevinos, além de incentivos de 50% da alíquota para juvenis e peixes adultos e redução para 1% nas operações interestaduais.
Atualmente, o subprograma conta com 105 estabelecimentos rurais cadastrados e sete indústrias credenciadas. Somente entre janeiro e abril de 2026, já foram concedidos R$ 1,15 milhão em incentivos ao setor.
Durante a abertura, o secretário Artur Falcette destacou a importância da integração entre produtores, instituições e políticas públicas para o fortalecimento da piscicultura. “Eventos como este complementam as ações que vêm sendo implementadas para dinamizar a cadeia produtiva e impulsionar seu desenvolvimento”, afirmou.
O secretário também ressaltou que o avanço da piscicultura passa por uma visão estratégica e integrada entre diferentes segmentos da produção. “O desenvolvimento da cadeia envolve incentivos como o Propeixe e o Peixe Vida, além de parcerias com instituições de pesquisa. Nosso estado está empenhado em diversificar a produção, e a piscicultura terá papel de destaque nesse cenário”, pontuou.
Falcette ainda destacou a necessidade de equilíbrio entre a produção de tilápia e peixes nativos, reforçando que ambas as cadeias podem crescer de forma complementar. “A tilápia é uma commodity global, com preço definido pelo mercado internacional, enquanto os peixes nativos possuem características próprias e grande potencial de valorização. As ações propostas beneficiam todo o setor”, completou.
O secretário-executivo Rogério Beretta enfatizou o papel estratégico dos peixes nativos, especialmente em regiões onde a criação de tilápia não é permitida. “Metade do estado não pode criar tilápia e precisa investir nessas espécies. O Plano Estadual já contempla o melhoramento genético, com foco em produtividade e manejo”, explicou.
Beretta também destacou o potencial de mercado e a demanda crescente por pescado nativo. “Há uma demanda expressiva, mas ainda precisamos ampliar a produção local, já que parte do pescado vem de outras regiões. Isso demonstra um mercado promissor, inclusive para exportação”, afirmou.
Segundo ele, o Governo do Estado já iniciou ações para impulsionar o setor, incluindo projetos de melhoramento genético e apoio à pesquisa. “O potencial é significativo, considerando nossos recursos hídricos e a estrutura existente. A expectativa é que esse debate fortaleça a integração entre técnicos e produtores e contribua para o crescimento da piscicultura em Mato Grosso do Sul”, concluiu.
A programação do encontro contou com painéis sobre edição genômica em peixes, resultados da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) na produção de pintado e perspectivas de mercado da tilápia, reforçando o compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável do setor.
Rosana Siqueira, Semadesc


