Publicado em 16 abr 2026 • por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
O Governo do Estado, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), apresentou nesta quinta-feira (16), durante a Expogrande 2026, os avanços do ProLeite (Plano Estadual de Desenvolvimento da Bovinocultura Leiteira), programa lançado na edição da feira agropecuária em 2025, com o objetivo de estruturar e fortalecer a cadeia produtiva do leite em Mato Grosso do Sul. O evento, realizado no Tatersal da Acrissul, reuniu produtores, cooperativas, indústrias, técnicos e representantes de instituições públicas e privadas para um balanço de um ano de execução das ações.
Em doze meses, o ProLeite consolidou uma agenda integrada que envolve associativismo, incentivo financeiro, melhoramento genético, assistência técnica e apoio à indústria, com resultados já perceptíveis no campo e na dinâmica de mercado. A proposta, segundo o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, foi construída para enfrentar gargalos históricos e promover ganhos estruturais ao setor. “Um plano estadual pra gente trabalhar o fomento, a melhoria das condições dos produtores de leite. Em seguida, a gente já criou, através de decreto, o ExtraLeite e começamos todos os trabalhos para a implementação desse programa”, afirmou.
“O ProLeite demonstra, em um ano, que é possível estruturar uma cadeia produtiva com políticas públicas integradas e foco em resultado. Conseguimos organizar os produtores, criar instrumentos de incentivo direto, melhorar a base genética do rebanho, fortalecer a indústria e ampliar a assistência técnica no campo. É um trabalho que conecta todos os elos da cadeia e estabelece bases sólidas para o crescimento da produção de leite em Mato Grosso do Sul, com mais renda, eficiência e sustentabilidade”, comenta o secretário Artur Falcette, da Semadesc.
O governador Eduardo Riedel reforçou que, com a insituição do ProLeite, “atuamos para fortalecer a cadeia produtiva do leite, que passa pela tecnologia, com genética, sanidade e nutrição, sendo importante para o resultado de produtividade e assim valorizar o produto final. São conjuntos de medidas para esta cadeia ficar cada vez mais forte”.
Um dos primeiros resultados do Proleite foi a criação da Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Leite (Assuleite-MS), formalizada em 2025 para dar representatividade à cadeia. A entidade já reúne produtores em 53 municípios, com atuação por meio de 57 associações e cooperativas. “Era uma deficiência histórica. A cadeia produtiva do leite não tinha uma associação estadual. Hoje temos uma entidade estruturada, que representa o produtor e ajuda a levar as políticas públicas até a base”, destacou Beretta.


O presidente da Assuleite, Éder Souza Oliveira, reforçou o papel da entidade. “Estamos presentes em 53 municípios, com 3.983 produtores associados. Participamos de negociações importantes durante a crise do leite, promovemos capacitações e ajudamos a organizar e fortalecer associações locais. A associação é a voz do produtor junto ao governo e às prefeituras”, afirmou.
O programa ExtraLeite instituiu um modelo de incentivo direto ao produtor, vinculado a critérios de qualidade, regularidade e sustentabilidade. “O programa vai pagar até 14% do valor de referência do leite. Hoje isso representa entre 20 e 30 centavos a mais por litro. É uma política baseada em meritocracia”, explicou Beretta. O sistema já está operacional. “Se os laticínios associarem os produtores, o governo está pronto para pagar o incentivo já no próximo mês”, acrescentou.
A construção contou com a participação da Sefaz (Secretaria de Fazenda). “Testamos o sistema ao vivo e está funcionando. Quem já está cadastrado está pronto para receber. Agora precisamos que os laticínios façam a vinculação. Trinta centavos por litro fazem diferença”, afirmou o coordenador da Sefaz, Gabriel Bezerra Bourguignon.

Melhoramento genético e maior presença no campo
O melhoramento genético se consolidou como um dos eixos centrais do ProLeite, com execução direta do Senar/MS em parceria com o Governo do Estado. Em abril de 2025, foi firmado convênio estratégico de R$ 4,3 milhões para ampliar as ações até 2026, incluindo a realização de 2 mil inseminações artificiais em tempo fixo (IATF), 1,2 mil transferências de embriões e a distribuição de 427 animais entre bezerras, novilhas e touros a produtores selecionados.
A execução ocorre por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), responsável pelo acompanhamento das propriedades e pelos diagnósticos reprodutivos. A meta é elevar a produtividade e a qualidade dos rebanhos, ampliando a competitividade da cadeia.
O presidente do Núcleo Girolando MS da Acrissul, Alessandro Coelho, destacou a agilidade na implantação. “Em pouco tempo, mais de um terço das metas foi cumprido, graças ao trabalho técnico e à parceria entre produtores de diferentes regiões”, afirmou. Alessandro ressaltou o potencial produtivo dos animais e os desafios enfrentados no campo. “Temos vacas com capacidade de produzir entre 40 e 50 litros por dia, mas precisamos planejar, principalmente após anos de seca, com formação de forragem e silagem, daí a importância do incentivo financeiro. Esse adicional de 20 a 30 centavos por litro pode parecer pequeno, mas faz diferença no dia a dia. Em muitos casos, paga a ração das vacas”, acrescentou.
O ProLeite também avançou na relação com a indústria, com medidas tributárias que ampliaram a competitividade dos produtos locais e estimularam a demanda por leite. “O ano passado foi extremamente desafiador, com falta de matéria-prima e custos elevados. Apresentamos as demandas ao governo e fomos atendidos. Com as mudanças tributárias, os resultados começaram a aparecer rapidamente”, afirmou o presidente do Silems, Abraão Giuseppe Beluzi. Segundo ele, o cenário mudou em 2026. “Hoje o comércio interno está aquecido e as indústrias estão disputando o leite. O que produzimos está sendo absorvido dentro do Estado.”
A assistência técnica é outro pilar do programa. O Senar/MS atua com equipes de campo por meio da ATeG, enquanto a Agraer ampliou atendimentos, dias de campo e suporte técnico aos produtores. Em 2025, a Agraer atendeu cerca de 2,6 mil produtores e intensificou ações voltadas à produção leiteira, incluindo acesso a crédito, insumos e tecnologias.
A implementação do ProLeite ocorre de forma regionalizada, com atuação nos polos Norte, Central e Sul, priorizando escala e eficiência, mas com possibilidade de inclusão de novos municípios organizados. O programa também integra outras ações, como o subprograma Leite Vida, com meta de ampliar em 4 milhões de litros a produção anual de leite no Estado nos próximos anos.
Marcelo Armôa, Semadesc