Publicado em 12 mar 2026 • por Marcelo Armôa, Assessoria de Comunicação da Semadesc •
O Governo do Estado deu início na tarde desta quinta-feira (12), à apresentação dos resultados dos projetos desenvolvidos por meio da Chamada Fundect/SEMADESC/SEAF nº 12/2023 de Extensão Tecnológica para Agricultores Familiares, Povos Originários e Comunidades Tradicionais. O Seminário Extensão Tecnológica MS – Agricultura Familiar, acontece de 12 a 13 de março no auditório do campus da UEMS em Campo Grande, reunindo cerca de 200 participantes entre pesquisadores, extensionistas, representantes do poder público e equipes dos projetos para compartilhar experiências e avaliar os impactos das ações no campo.
A iniciativa, executada pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), por meio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia e Secretaria Executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais, destinou R$ 6 milhões para apoiar projetos de extensão tecnológica em Mato Grosso do Sul.
Durante a abertura do evento, o secretário Jaime Verruck, da Semades, destacou a importância da extensão tecnológica como instrumento de apoio direto às famílias que vivem da agricultura no Estado. “Vejam o tamanho da responsabilidade que todos nós temos enquanto política pública, assistência técnica, acompanhamento aos produtores e acesso ao crédito. São 72 mil famílias de agricultura familiar no nosso Estado. Muitas vezes é mais fácil falar das grandes cadeias internacionais instaladas aqui, dos grandes players da bioeconomia de escala, como a celulose e as proteínas animais. Quando olhamos para a agricultura familiar, o poder público precisa ter responsabilidade ainda maior e capacidade de gerar projetos que produzam resultados concretos”, afirmou.
Segundo ele, a iniciativa também demonstra a capacidade das instituições de pesquisa em transformar conhecimento científico em soluções aplicadas no campo. “Durante muito tempo prevaleceu a ideia de uma academia mais fechada, distante da realidade produtiva. O que estamos vendo com esse projeto é justamente o contrário. Os resultados são extremamente positivos e caminham na direção do que a agricultura familiar realmente precisa”, ressaltou.
Ao todo, por meio da Chamada, foram contratados 85 projetos, desenvolvidos por Instituições Científicas e Tecnológicas e universidades sediadas no Estado, com execução em 22 municípios e beneficiando diretamente cerca de 4 mil pessoas, entre agricultores familiares, indígenas e quilombolas. Cada proposta recebeu entre R$ 20 mil e R$ 80 mil, com prazo de execução de até 12 meses, podendo ser prorrogado conforme necessidade.
Os projetos estão vinculados a instituições como UFMS, UFGD, UEMS, IFMS, Agraer, Uniderp e UCDB, e abrangem diferentes polos regionais do Estado. As ações contemplam áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável, como agroecologia, agroflorestas, agroindústria, bioeconomia, biodiversidade, energias renováveis, tecnologias sociais, saúde animal e saúde humana. Também dialogam com temas da extensão universitária, como educação, meio ambiente, cultura, tecnologia e produção, direitos humanos e trabalho.
Para a secretária-executiva de Agricultura Familiar, Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Semadesc, Karla Nadai, o seminário representa um momento de consolidação da conexão entre pesquisa, extensão e produção. “Este evento representa um marco importante para a agricultura familiar e para a extensão rural. Ele consolida um processo em que projetos que estavam no campo da pesquisa passam a ganhar aplicação prática. Conseguimos conectar o conhecimento produzido nas instituições com o trabalho do extensionista, que leva essas soluções diretamente ao campo”, destacou.
Entre os projetos apresentados, segundo a secretária, houve avanços em segmentos como o de produção animal, piscicultura, bovinocultura de leite e ovinocultura, além de iniciativas voltadas à horticultura, fruticultura, olericultura e sistemas produtivos diversificados. Também se destacaram ações relacionadas aos sistemas agroflorestais e à valorização de frutos nativos e dos saberes de comunidades tradicionais e povos originários.
Os resultados dos projetos podem ser observados tanto na capacitação de produtores quanto na criação de novos produtos e processos produtivos adaptados à realidade local, como medicamentos fitoterápicos, produtos de saboaria artesanal, alimentos e modelos de gestão para pequenas propriedades.
Segundo a Fundect, a chamada pública recebeu mais de 100 propostas de projetos nas diferentes áreas temáticas, demonstrando a forte mobilização do sistema estadual de ciência, tecnologia e inovação em torno da agricultura familiar.
Governo autoriza lançamento de novo edital
Durante o seminário também foi assinado o termo de autorização para publicação do segundo edital de extensão tecnológica voltado à agricultura familiar. O novo edital contará com R$ 3 milhões destinados ao financiamento de projetos e ações voltadas ao fortalecimento da produção rural no Estado. O texto do edital será discutido nesta sexta-feira (13) com os participantes do encontro, contribuindo para aperfeiçoar a nova chamada pública.
Participaram da abertura do evento o secretário Jaime Verruck, a secretária-executiva de Agricultura Familiar da Semadesc, Karla Nadai, o diretor-presidente da Agraer, Fernando Nascimento, e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Maracaju, Agadir Mosmann.
A programação de sexta-feira (13), segundo dia do seminário será dedicada à apresentação e avaliação dos projetos desenvolvidos. Às 8h30 ocorre a sessão de apresentação oral de oito projetos selecionados entre os participantes da chamada pública. A atividade terá moderação de José Haroldo de Souza, da SEAF/SEMADESC. Às 10h30 será realizado o coffee break.
Às 11h acontece o painel “Avaliação da chamada”, com participação da secretária-executiva da SEAF/SEMADESC, Karla Nadai, que apresentará os resultados da Chamada Fundect/SEMADESC/SEAF nº 12/2023, e do diretor científico da Fundect, Saulo Gomes Moreira. A moderação será de José Haroldo de Souza. O encerramento do seminário está previsto para as 12h30.
Rosana Siqueira e Marcelo Armôa, da Semadesc
Fotos: Mairinco de Pauda











